quinta-feira, março 25, 2004

Sinceridade:

(...)àquela cultura idiota do blá-blá-blá. A esta geração que se orgulha da sua superficialidade. A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade que é pior que a falsidade e a inocência que é pior que a corrupção.

Philip Roth, A Mancha Humana , Dom Quixote

terça-feira, março 02, 2004

Tamanho:

(...)eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.

Fernando Pessoa, O Livro do Desassossego, Colecção Novis

quarta-feira, fevereiro 04, 2004

Ciúme:

O ciúme é irracional: alimenta-se do seu próprio sofrimento e é como se só conseguisse saciar-se e acalmar-se quando tudo o que de pior imaginou se torna real e nítido e visível. O ciúme é uma dúvida doentia que cresce como um cancro e a que só a certeza de já não haver lugar para dúvidas pode trazer, pelo menos, o bálsamo de pôr fim a essa angústia, a esse enxovalho de viver permanentemente à procura dos sinais da traição. Quanto mais chocante for a evidência, quanto mais real for o real da traição, mais o ciúme se sente recompensado, redimido, quase digno de respeito.

Miguel Sousa Tavares, Equador, Oficina do Livro

sexta-feira, dezembro 05, 2003

A angústia da escolha:

Nenhuma opção (quando há realmente opção) se pode fazer sem angústia. A opção é o sinal distintivo da existência. Existir é opção.

Kierkegaard

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Existência de Deus:

A única prova da existência de Deus é o anseio humano colectivo de que exista.

John Updike

sexta-feira, outubro 31, 2003

Origem do mundo:

O problema da origem do mundo preocupou sempre todo o homem capaz de reflectir, visto ser impossível contemplar o espectáculo do Universo estrelado, sem perguntar como é que ele se formou.

Henrique Poincaré, Lições sobre as hipóteses Cosmogónicas

quinta-feira, outubro 30, 2003

Casal amoroso:

Vão dormir juntos. Sabem-no muito bem. Cada um deles sabe que o outro também sabe. Mas, como são novos, castos e decentes, como cada um quer conservar a sua estima por si próprio e a estima do outro, como o amor é uma grande coisa poética que é preciso não amedrontar, vão juntos, várias vezes por semana, aos bailes e aos restaurantes oferecer o espectáculo das suas dançazinhas rituais e mecânicas...
No fim de contas, é preciso matar o tempo. São os dois jovens e de boa compleição: ainda têm diante deles uns trinta anos. Por isso não se apressam, saboreiam o seu vagar, e não deixam de ter razão. Quando tiverem dormido juntos, precisarão de encontrar outra coisa para encobrir o enorme absurdo da sua existência.

Jean-Paul Sartre, A Náusea, Colecção Mil Folhas, Público

sábado, outubro 25, 2003

Deus e proximidade:

Entre dois homens que não têm a experiência de Deus, é talvez aquele que o nega quem d'Ele está mais perto.

in Simone Weil, La Pesanteur et la Grâce, Paris, Plon, 1947

sexta-feira, outubro 24, 2003

Estranheza:

Estranhamos ao ver uma coisa que não compreendemos; a estranheza é o mal-estar da razão privada do seu objecto.

in C. Lahr, Manual de Filosofia

quinta-feira, outubro 23, 2003

A Verdade e o Engano:

Todos os homens se regozijam com a verdade; conheci muitos que quisessem enganar; nenhum que quisesse ser enganado.

in S. Agostinho

segunda-feira, outubro 20, 2003

O Homem e o Universo:

O homem não é mais do que um junco, o mais frágil da natureza, mas é um junco pensante (...). Ainda que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que aquilo que o mata, porque sabe que morre e conhece a vantagem que o universo tem sobre ele, ao passo que, de tudo isso, o universo nada sabe.

in Blaise Pascal

sábado, outubro 18, 2003

Suicídio:

(...) não há senão um único problema filosófico verdadeiramente sério: o problema do suicídio. Julgar que a vida vale ou não vale a pena ser vivida, é responder à questão fundamental da filosofia.

in Albert Camus, Le Mythe de Sisyphe, Paris, Galimard, 1942

sexta-feira, outubro 17, 2003

A Religião:

A religião é o suspiro da criatura acabrunhada pela desgraça, é o coração de um mundo sem coração, é o espírito de uma época sem espírito. É o ópio do povo.

in Karl Marx, Contribuition à la critique de la philosophie du droit de Hegel, Paris, 1929

quinta-feira, outubro 16, 2003

Aborrecimento:

O aborrecimento intenso, pairando como nevoeiro silencioso sobre os abismos da realidade humana, congraça homens e coisas, incluindo-nos a nós mesmos, numa surpreendente indiferenciação.

Heidegger

domingo, setembro 07, 2003

Bach e Brahms:

Bach é como uma árvore edénica: basta tocar-lhe para que dela se desprendam sempre os mais belos frutos, perfeitamente amadurecidos.

Brahms - um grande moinho de música. Metem-se para o moinho uns tantos moios de trigo, e o moinho tem que cumprir a sua obrigação: moer todo aquele trigo, que pode dar na verdade farinha de primeira qualidade, mas a qual pode também muitas vezes não correspoder a reais necessidades, e para ali fica, não inútil, mas atravancadora....

in Obras Literárias de Fernando Lopes-Graça, Reflexões sobre a Música, Edições Cosmos

sábado, setembro 06, 2003

O Indivíduo e o meio:

O indivíduo define-se em relação ao meio, é função do meio, depende do meio - como o meio se define em relação ao indivíduo, é função do indivíduo, depende do indivíduo.

in António José Saraiva, Para a História da Cultura em Portugal, Ed. Gradiva, Vol. I

quarta-feira, setembro 03, 2003

Pena de morte:

A pena de morte é a forma mais premeditada de assassinato.

Albert Camus

Fim da inocência:

Não é verdade que, na primeira fase da nossa existência, somos crianças inocentes que acreditamos em tudo o que ocorre sob o tecto dos nossos pais? Depois chega o dia dos Laodicenses e então percebemos que somos desgraçados e miseráveis e infelizes e cegos e desamparados e, com o rosto de um fantasma macabro e angustiado, atravessamos uma vida de pesadelo, estremecendo de horror?

Jack Kerouac, Pela Estrada Fora, Colecção Mil Folhas

terça-feira, setembro 02, 2003

Morte das religiões:

(...) este é o modo como as religiões costumam morrer: quando os pressupostos míticos de uma religião, sob os olhos rigorosos, razoáveis, de um dogmatismo bem-pensante, são sistematizados como uma soma acabada de acontecimentos históricos e se começa angustiosamente a defender a credibilidade dos mitos, mas a rebelar-se contra toda a sobrevivência e propagação dos mesmos, quando, portanto, o sentimento pelo mito morre, e em seu lugar se introduz a pretensão da religião a ter bases históricas.

in Nietzsche, O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música, Nova Cultural

segunda-feira, setembro 01, 2003

Quarteto de cordas:

(...) o quarteto é uma das formas musicais mais puras que existem. A restrição dos seus meios materiais (que não significa, contudo, pobreza) implica uma economia de processos, uma contenção expressiva, um ascetismo de ideias, que excluem, nos melhores paradigmas do género, toda sedução exterior, todo brio, todo pitoresco aliciador, toda facilidade condescendente, tudo, enfim, que não seja pura essencialidade musical, puro pensamento sonoro.

in Obras Literárias de Fernando Lopes-Graça, Reflexões sobre a Música, Edições Cosmos

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